domingo, 12 de agosto de 2012

Enquanto todo mundo a minha volta quer ser lógico, e trabalhar por fatos, eu não me importo de ser romântica, sonhadora e ter fé.
Roberta Sanchez.
Seus sentimentos não são sua fraqueza, principalmente perto de quem você ama, demonstrar seus sentimentos não é ser emo ou gay, é ser humano.
Roberta Sanchez.
Me irritando com mentiras que a minha mente inventa pra me fazer mal.
Roberta Sanchez.

Eu queria conseguir me distrair com o som do relógio como quando era pequena... “tick, tock”, mas fica difícil, por que quando era pequena eu não tinha feridas no coração que os pensamentos me fazem lembrar.
Roberta Sanchez.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012




Acreditar em profecias, acreditar em um sonho, uma promessa feita pelo destino, é algo difícil para os descrentes do futuro, aqueles que acreditam que talvez o mundo possa acabar amanhã.
Eu ainda tinha cinco anos, acompanhava meus pais pelo jardim da nossa tradicional casa japonesa e a acompanhava com os olhos, a menina de cabelos escuros, que mal havia aprendido a andar, acompanhando duas mulheres que à minha visão eram estranhas, eu era novo de mais, não sabia ainda...
Quando eu fiz doze anos eu já havia digerido metade das informações, eu era o filho de uma tradicional família japonesa e aquela linda garota de cabelos negros e longos como a noite e de olhos negros e brilhantes como um par de ônix, era a minha gueixa.
Eu era uma criança, queria me divertir, brincar e enquanto eu brincava com meus amigos de bola ou estudava, lia meus livros, ela apenas observava, aquele rosto branco que me lembrava fantasmas de filmes de terror e a boca vermelha que eu achava que ela havia acabado de beber sangue de alguém.
- Por que você não tira essa maquiagem? – perguntei uma vez.
- Eu sou uma gueixa, meu senhor – ela me respondeu.
Quando eu fiz quinze anos, meus diálogos com ela ainda não haviam passado do necessário, mas eu estava ficando incomodado com essa situação que durava a anos, eu começava a ficar irritado com isso, eu resolvi tomar uma atitude, fechei o livro de supetão e a encarei.
O espanto passou pelos olhos dela, mas ela se acalmou logo em seguida.
- Qual o seu nome? – perguntei.
- Akina, meu senhor – ela respondeu.
- Quantos anos você tem? – Perguntei novamente.
- Treze – ela respondeu e um desespero me bateu, eu não sabia mais o que falar, olhei os livros espalhados pela minha escrivaninha e vi na capa de um, uma flor, nem sei o que aquele livro estava fazendo ali.
- Você gosta de flores? – perguntei e senti e um breve sorriso se amostrou em seus lábios.
- Sim, meu senhor – ela respondeu.
Não sei o motivo, mas minha mente ficou vazia, eu fiquei em silencio a encarando, a maquiagem branca de sempre, o canto dos olhos pintados de vermelho e a boca também, o cabelo que eu tanto apreciava preso num coque – suspirei fundo – o kimono rosa claro, cobria todo o seu corpo e eu me perguntava como ela era por baixo das roupas – corpo de criança – minha mente me avisou, ela só tinha treze anos.
- O senhor – ela disse interrompendo meus pensamentos – deseja algo de mim? – ela perguntou.
Suspirei novamente e levantei da cadeira, fui até ela e puxei o palito que prendia seu coque, fazendo seu cabelo negro cair pelas suas costas como uma cascata.
- Tudo – respondi saindo do quarto.